Era o que pregavam lá. Uma parte do sermão do pastor ou do padre. Todos os fiéis sentido o amor do Senhor, cantando músicas lindas. Pediam, agradeciam, rezavam! Esses eram os Soldados de Deus, levando amor, paz e sabedoria para todas as pessoas ao seu redor.
Um fiel se chamava Antônio. Antônio era a pessoa de maior bondade no mundo, renunciando a todos os prazeres para seu bem-estar com Jesus. A paixão de Cristo não foi em vão, Antônio honraria as palavras da bíblia, ajudaria os pobres e famintos levando a palavra do Senhor.
Antônio era um bom rapaz em seus quinze anos de idade, sempre negando as tentações. Um jovem que se orgulhava de dedicar sua vida à religião. Tirava notas boas, só não em biologia, não agüentava ouvir as blafêmias do professor para com Deus. Livros mentirosos escritos pelo demônio. Também tinha filosofia, odiava Nietzsche mais do que a Darwin. Não, depois de um tempo não odiava mais. Percebia que aquilo era um teste, deveria ter pena deles que agora queimavam no fogo do inferno.
Usou remédio para uma castração química, assim não sentiria mais a tentação da luxúria oferecida por Satanás. Foi o melhor dia da sua vida quando se descobriu impotente, sua mãe o apoiou.
Jamais conheceu o pai, portanto, como exemplo paterno, utilizou os ensinamentos de Jesus, escritos na bíblia sagrada. Sua mãe era uma boa mulher, que abandonou uma vida de pecados após ter um filho. Entregou-se a uma vida digna de uma boa cristã.
Esta é a vida de Antônio, uma pessoa que se dedica a Deus acima de tudo. Uma pessoa de bom coração que acredita em seu lugar no céu, afinal, se considerava o melhor servo de seu amado Jesus. Levava uma vida sem pecados.
Sua fé, a caverna. Seu Deus, as sombras.
Aprisionado na hipocrisia de viver por algo que não é real, um simples mito. O mito um homem invisível que fica nas nuvens observando tudo o que fazemos.
O mundo só estará a salvo quando finalmente se libertar de dogmas por medo de ir pro inferno, quando as pessoas aceitarem que não há nada além da morte, só sete palmos de terra. É ridícula a idéia de quem faz coisas boas vai para o céu, quem não as faz, vai para o inferno. Esta é a ilusão de quem é fraco para não aceitar o fim da linha.
Também há uma coisa ainda pior, talvez. As pessoas tem fé e rezam. Se não conseguem aquilo que rezam, foi porque Deus achou melhor assim. Então para que diabos rezar? Ter fé em seres fantásticos é não ter fé em si mesmo, não acreditar no própiopotêncial de conseguir as coisas.
Certa vez, o humorista, dramaturgo e desenhista Millor Fernandes disse:
"Quando o primeiro espertalhão encontrou o primeiro imbecil, nasceu o primeiro deus"