segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Resquícios de sábado à noite.

Banho de mar, carangueijo na praia, choverada, balde d'água de gelo na cabeça, copo de cerveja. Tudo programa de domingo à tarde, mais para uma hora ou meio-dia. Tudo fluindo de vento em poupa para matar a ressaca dos litros de uísque barato nas veias do dia anterior. Cada um tem seu jeito de fazer aquela sede que vem junto daquela dorzinha de cabeça e embrulhado no estômago passar.

Porém, nem sempre podemos contar com isso.

É duro lembrar das merdas de sábado à noite. Numa hora você tá meio alto, fazendo isso, aquilo, então você apaga, perde o controle do seu corpo. Acontece nas melhores famílias.

Não se pode curar a ressaca moral, um dos piores sentimentos do domingo à tarde. Não é para qualquer um, não, meu véi. Você acha que tá tudo bem quando se dá conta que não se lembra o que fez na porra do sábado à noite, só lembra de ter bodado e visto aquela pessoa que provavelmente contará que te viu bebendo para a sua mão.

E se vem neguinho te falar que você ficou com uma mina gatinha e você não sabe se é ou não verdade?

Ou se você fica lembrando daquela garota, gritando seu nome e mandando pessoas ligarem para ela sendo que ninguém conhece?

Resquícios de sábado à noite...

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Amor de mãe.

Uma festa de gala. No bairro nobre da cidade a sociedade burguesa se reunia em mais uma comemoração, bebendo vinhos caros com o dedo mindinho levantado. Políticos corruptos, advogados assassinos, banqueiros da máfia. Longe dali, muito longe dali, onde a noite é mais escura, a área pobre. Vidas miseráveis abaixo da linha da pobreza.

Dona Maria deveria ter por volta dos cinqüenta e tantos anos. Aparentava ter muito mais. Morava num barraco pobre onde nenhuma pessoa realmente merecia morar. Porém, estava melhor que a maioria dos moradores do bairro.

As estrelas sumiram quando o céu fechou. A água da chuva caía na calçada e escorria pelo boeiro.

Com os grossos pingos de água lhe martelando a cabeça, uma pobre garotinha de apenas seis anos andava apressadamente. O rosto molhado não só pela chuva, mas também por lágrimas amargas. Renatinha, neta de dona Maria, que agora batia na porta com sua pequenina mão. Em silêncio, ouviu passos de dentro do barraco, em seguida, a porta se abriu. A avó olhou com seriedade para a neta, logo a fazendo entrar.

Renatinha, assustada mas calada, nada fez quando dona Maria lhe jogou uma toalha. Não perguntou o que havia acontecido, entendeu tudo apenas em olhar para as coxas ensangüentadas da pobre menina.

Dona Maria foi até um cômodo do barraco, passando pelo pano que deveria ser a parede. Tirou uma grande faca da gaveta. A lâmina estava cega e enferrujada. Uma expressão de ódio no rosto. Passou pela pequena sala, praticamente ignorando a menina. Saiu na chuva sem se importar, virou à direita andando até o terceiro barraco da rua. A porta estava aberta.

Um outro barraco, menor e sujo. Os poucos móveis caídos. Gritos. Adentrou a sala, atravessou e logo avistava a pequena cozinha. Um homem magro e feio batendo numa mulher também magra. A mulher tombou, caindo para trás, o homem deu-lhe dois pontapés na coxa. A lâmina cega da faca de dona Maria entrou nas costelas do sujeito. Tirou a faca e o encarou.

José tinha uma barba mal feita com um bigode grande, cabelo curto e assanhado. Era o genro da dona Maria. Agora tinha um buraco nas costelas, por onde sangrava. Seu hálito era de cachaça. Sua mão suja com sangue da esposa voou no pescoço da sogra, que acabou por desferir mais um golpe: desta vez acertou a genitália, rodando a faca.

"Filho da puta! Isso é pra tu nunca mais estuprar minha neta, seu merda", rugiu dona Maria. José deixou uma lágrima cair, em seguida, caiu ajoelhado no chão com a faca por entre as pernas. "Ande, minha filha, vamos pra minha casa", falou, num tom de desprezo. A filha se levantou e deu um tapa na mãe, gritando com ódio pelo que havia acontecido com seu amado marido.

Hábitos que não mudam.

Não seria a primeira vez que faria aquilo. Não era mais o amador de anos atrás. Estava estressado com a esposa, com a cara feia do chefe no trabalho e com a idéia de que poderia estar enferrujado. A pelo menos três anos não fazia. Precisava relaxar e aquilo sempre o deixava com uma paz de espírito. Uma recaída, mas, mesmo assim, não seria nada demais.

Calçava quarenta, mas suas botas eram quarenta e quatro. Colocou jornal para não ficar tão frouxo. Assim pareceria mais alto e mais magro nas pegadas deixadas na terra. O céu estava limpo, mas mesmo assim usava capa de chuva. Também tinha luvas em sua mão. No rosto uma máscara de pano negra.

Segurava a faca com firmeza. Era invisível num beco escuro perto de algum bar na área pobre da cidade. Não havia muito movimento. Os carros passavam de meia em meia hora, quando passavam. Viu, então, uma bela mulher passando. Parecia uma porstituta. Casaco barato, botas até o joelho de couro brilhante, top vermelho, chiclete na boca, bolsa pequena e exagerados cabelos pretos. Ela passou pelo beco e logo foi atrás dela. Segurou-a por trás, colocando uma mão em sua boca, a outra, seguurando firme a faca, fez a lâmina lhe tortar a garganta. Outrogolpe, agoa à espinha da prostituta. Enfiou a faca e girou, e o sangue espirrou na barriga. Por último, usando a mão que lhe tampava a boca, quebrou o pescoço dela.

Saiu dali às pressas, voltando ao beco escuro. Tirou a capa de chuva ensangüentada e enfiou cuidadosamente num saco. Em seguida, colocou as botas. Havia outro par de sapatos escondidos estrategicamente. Calçou-os. A faca e a máscara foram para o mesmo saco da capa de chuva, assim como as luvas.

O saco era preto e grande. Levou até um grande tambor de lixo. Colocou o saco ali, em seguida, tirou uma pequena garrafa de álcool no bolso, derramando o líquido no lixo e em seguida o acendendo com um palito de fósforo.

Foi até o carro e logo dirigiu à sua cobertura na área nobre da cidade.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

A morte. A vida?

Nesta trama sem sentido, sem pé e nem cabeça, você não encontrará final feliz. Muito menos um final com sentimentalismo barato ou lição de moral. Portanto, lhe aconselho a fechar esta página. Mas, claro, se você for do tipo teimoso e ainda tem a esperança de encontrar algo que se aproveite no tédio deste blog, sinta-se a vontade.

Muito bem. Você ainda está aqui. Por consideração à sua pessoa vou parar de enrolar. Agora seria a hora ideal para descrever o clima. Frio. Agora o cenário. O mais clichê possível de um filme noir em preto-e-branco. O nosso personagem? Um senhor de idade, entre sessenta e setenta anos. Poderíamos descrevê-lo como um mendigo.

Agora vamos acelerar nossa história. Um ataque fulminante lhe invade o peito. Prestes a morrer de uma parada cardíaca, enquanto jovens punks passam perto e olham com indiferença, o coitado tem uma visão de como foi sua vida.

A vida lhe parecia como uma estrada. E nesta estrada, a cada quilômetro, pode-se encontrar um pouco daquilo que era sua dignidade. Uma estrada de sonhos não realizados e amores perdidos. Por entre esses sessenta ou setenta anos que viveu, como, até hoje, jamais havia adiantado aquele momento? Afinal, era apenas um mendigo insignificante num mundo sujo.

Ao que parecia, os jovens punks não o olharam com real indiferença. Amaldiçoou o som da ambulância chegando ali.

Sobreviveu mais um dia para voltar à sua miséria e àquilo que chamavam de vida. "Teve sorte", disse o médico, dando-lhe um tapinha nas costas. Mas, na verdade, sorte era o que lhe faltava.

Foi obrigado a sobreviver por mais dias.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

João e suas lembranças.

Quarentão, quase cinqüenta. Divorciado. A esposa tomou tudo do nosso pobre heróis. Hoje, vive num apartamento mínimo de dois cômodos. As cortinas sujas fechadas sempre, apenas com aquelez clarões azulado da tevê em seus rosto iluminava.

Sentado numa poltrona, apenas de cueca e camiseta, bebia sua Skol estupidamente quente. Na mesa de centro, entre o sofá e a televisão, um último pedaço de pizza na caixa que já estava ali desde o dia anterior. Os dias de João sempre era vazios, bebendo em frente à tevê e remoendo um passado em que se dizia feliz.

Domingo à noite. Não tomava banho desde quarta-feira. Um triste destino para quem um dia foi um brilhante advogado. A Gloria Maria, no Fantástico, falava sobre mais um caso de corrupção no Senado. Passado o sensasionalismo, agora uma reportagem em que o Zeca Camargo rodava lugares históricos de Paris. Conheceu tudo aquilo com sua mulher. Ex-mulher. E mais uma vez as lembranças lhe esfaqueavam pelas costas.

Chorava. Outra facada em seu orgulho cheio de cicatrizes abertas.

Cortou os pulsos. Morreu. Ninguém sentiu falta, só descobriram que ele morreu depois de uma semana, quando o fedor do corpo já invadia o apartamento da vizinha.

domingo, 11 de janeiro de 2009

Ociosidade.

E lá vem neguinha me falar: "Pedro! Você é muito ocioso, vá praticar algum esporte!". Pois é, mas ninguém vê as coisas que eu realmente faço! Sou um esportista de primeira, oras! Véi, tá pensando que é mole virar doses e mais doses de cachaça? O braço cansa, filha! Por isso que só viro com o esquerdo, para igualar o exércício que já faço com o direito...

Outra: eu jogo buraco! Porra, tem que ter habilidade, todo um preparo físico para distribuir as cartas para os jogadores. Um esporte que já pratiquei certa vez: War! Sabe, aquele jogo fodão de tabuleiro, dados, etc? Exército azul, exército amarelo... então! Agora tenta jogar isso bebendo Red Fruits! Véi.... não é pra qualquer um, não senhor. Ainda mais se for pra beber pura só com duas pedrinhas de gelo. Cansa muito, ainda mais para focalizar os dados e lembrar de pegar a carta após a jogada. Eu mesmo devo ter perdido uns três quilos quando joguei!

Churrasco sábado à tarde! Puta que pariu, ficar naquele calor da churrasqueira num é brinquedo, não. Ainda mais se a maminha com dois dedos de gordura vem quente e você precisa daquela Skol estupidamente gelada para resfriar a língua? Sabe quantas calorias o organismo perde para resfriar a lingüiça dentro da barriga, e quanto perde para aquecer a Skol véu de noiva? Pois é, meu velho, não é todo mundo que agüenta!

E sinuquinha quarta-feira à noite com os amigos, comendo lingüiça e bebendo Coca-Cola? Outra: domingo à noite rodízio de pizza, ficar cortando uns vinte pedaços e ainda ter que mastigar!

Pois é, e ainda tem gente que diz que sou ocioso!

sábado, 10 de janeiro de 2009

Religião?

- Pai.
- Diga, filho.
- Por que eu devo acreditar na bíblia?
- Ora, se você não acreditar, vai para o inferno!
- Por quê?
- Porque sim. Deus quer assim.
- O senhor já viu Deus?
- Não, meu filho. Deus está no céu!
- Mas olhopara as nuvens e não o vejo...
- Ele está além da nuvens, e não me faça mais perguntas!
- Se está além das nuvens... Ele está no espaço... Deus é um alienígena?
- Não, meu filho! Deus é o todo-poderoso, que nos criou!
- Mas e o Big Bang?
- É mentira.
- E a teoria da evolução?
- Também. Nós não viemos de macacos!
- Então de onde viemos?
- Adão e Eva foram os primeiros seres humanos, eles procriaram e se reproduziram!
- Quer dizer que os filhos deles se reproduziram com as filhas?
- Onde você aprendeu essas coisas?
- Li a bíblia e deduzi.
- Vá assistir televisão! Você está lendo demais!